TRABALHO DIÁRIO
Não contei as sílabas
Meu braço se estende na pá para uso
Diário de vida e de morte em parafuso
Cresce-me como cabelos ideias e unhas
Espicha-me do jeito que tu Deus propunhas
Vá-te Luis vá-te apertar rodar rodar dervixe
Pregar-te à terra à palavra grite cochiche
E vim estou só faço na doidice dos dias espiralar
Dei-te um nome que poderiam ser muitos Alá
Deite ao meu lado neste colchão de calvário
Ó Senhor deite ao lado de teu humilde notário
Meu tabelionato não tem pena papel carimbo
No chão prado lamaçal é onde firmo e catimbo
Pastam pisoteiam primeira hora da madrugada
E pronto já está minha oração lá vai apagada
Minha extensão cavuca iterada para buscá-la
Os sulcos que abre ó como no solo abre ala
Não encontro jamais o dito que tinha dito escrito
Porém de pá em mão olho o campo tou incontrito
Criei a maior beleza que um servo coveiro pode criar
Buracos vazios em que cabem pó português magiar



Que bunito, Luigi! Misterioso...
eu fico besta