COMENTÁRIOS
Na parede dos outros
Tenho recebido muitas mensagens de leitores cobrando mais texto meu em suas caixas de entrada. Respondi uma, duas, três vezes, no auge da paciência monacal, mas as cobranças não cessam nem por reza brava. Resolvi então dizer aqui o motivo do sumiço, para que todos o saibam. Acontece que ando muito ocupado com umas aleatoriedades da vida. São coisas para lá de estranhas, que eu jamais imaginei serem possíveis de cair no meu colo, e minha ocupação agora é admirá-las, acariciar-lhes a estranheza. E ponham, meus leitores, estranheza nisso. Enfim, não lhes conto agora em que consistem essas aleatoriedades, uma porque vocês já sabem de uma delas: a redação de um romance. Outra porque é tão inacreditável, tão inverossímil, que se eu a disser a vocês, vocês me mandam à casa do caralho e acabam questionando: que isso, cara! Juro. Bom, tem ainda um terceiro motivo que me consome tempo à beça: ler e comentar os textos de muitos de vocês mesmos, meus leitores. Uns contam história, outros informam, outros ainda desinformam, e por aí vão. Não deixa de ser um trabalho. Compilei alguns abaixo. Que tal comentarem de volta?
Lembro de na escola odiar escrever à mão, porque às vezes era pra transcrever um ditado ou copiar do quadro, e o apagador era mais rápido do que nossas mão infantis e as palavras ditadas eram levadas longe com qualquer sopro a mais. E ai de nós, se pedíssemos pra esperar ou repetir. Lembro também de sentir dor física nos músculos da mão. E de quando em fevereiro e março, na volta às aulas, ter que fortalecer o que as férias definharam. Hoje escrevo pouco à mão; a exceção é na hora de fichar texto. Se eu for passar um trecho de livro pro computador, dá no mesmo que nada; se a passagem for pro papel, lembro direitinho, inclusive em que parte da página anotei tal e tal coisa. Ideias pro futuro também: meus blocos de notas virtuais estão lotados de dados que nunca mais vou acessar, embora estejam aqui disponíveis; os físicos eu vivo folheando, olhando um erre ou um tê que risquei estranho, me perguntando que diabos essa estranheza está expressando.
Nem sempre um Luis mas sempre um Luis.
Redação dissertativo-argumentativa é exame psicotécnico.
Me pegou michórdia, eu sempre falei miquissórdia.
I finally got mentioned! And to make things better: belittling something!
K.O. is full of caô!
After writing huge novellas and his masterpiece novel, Guimarães Rosa wrote a book of short stories, and said he would reach the hieroglyphs. After that, he wrote a book of shorter stories, and then died, never getting to the hieroglyphs.
Cara, I couldn’t even pay proper attention to the top ten because of the damned Penght Limbus. All I wanted to do was comment on the stolen, burned copy. Não é possível. But then you got me.
Cool post. I’ll now click the links about Machado, Sterne, and another one I can’t remember.
Vou pôr aqui uma pergunta que de vez em quando me faço mesmo: não é preciso explicar o motivo do sono, da refeição etc. porque os leitores são inteligentes e sabem que é por causa do cansaço, da fome etc., mas é preciso especificar o fragmento de objeto porque os leitores inteligentes não podem imaginar? Claro que explicação e especificação são coisas diferentes, mas a falta de ambas num texto contaria, eu acho, com a capacidade dos leitores de preencher um espaço vazio.
Pelo texto achei que ao fim seriam duas machadadas.
Kkkkkkkkkk que isso, mané, tô aqui literalmente entre ler o Nobel de Literatura e a “Carta Fala Tudo”.
Dentro das 3 linha do campinho (uma das laterais é sempre marcada pela parede chapiscada), parece mermo uma sala virtual, com esses nome aí, papai mamado 55 e os carai. De 2, 1: ou tu lança um livro com uns texto assim, pra gente poder imitar o estilo oficializado na instituição livro, ou tu me chama pruma pelada dessa.
Não é incrível que o queer, gay, se chame logo PATER??? Por quê???
Essa primeira frase é sacanagem, de tão boa para uma primeira frase. Já contém todo o texto que vem em seguida.
1. O fato de o paulistano não ser pontual me surpreendeu muito ao chegar aqui.
2. Uma vez, em Berlim, eu saí correndo pra pegar o metrô, depois de demorar a comprar meu bilhete de passagem. Não perdi aquele bonde porque um cara ficou numa das portas segurando a partida pra mim. Ou pelo menos na época achei que tinha sido graças a ele, não sabendo da demora toda nos trens daí. Enfim, já em viagem, agradeci ao loirão, mantive a conversa e descobri que ele era um australiano que vivia havia anos aí e tinha todas as manhas da cidade. Me disse, então, que nunca comprava bilhetes do metrô, que já tivera de correr umas poucas vezes por isso, mas que no geral era tranquilo. Pensei: tá certo, daqui em diante não gasto mais meus eurinhos contados. Me despedi dele. Baldeei, e no trem seguinte me entrou um fiscal, coisa que até ali eu não tinha visto ainda. E não é que ele me pegou um outro cara sem bilhete e puxou-lhe os cornos vagão afora? Os bilhetes seguintes, continuei comprando, gastando meus eurinhos.



grata por esses fragmentos, frases e frimas!!! palavra q n existe mas deveria existir: rimas pra gente descolada, frimas.
veirrrrr kkkkkkkkkk